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Como sabem, o Dinis foi operado para retirar os adenóides, fez agora 3 meses. Não era daquelas cirurgias urgentes, para ontem, porque apenas tinha os adenóides ligeiramente aumentados, sem perda auditiva nem apneia do sono, no entanto, incomodativo para quem lidava com ele e com certeza para o  próprio. Todos os invernos, o Dinis passava o tempo com muco amarelado (o famoso ranho) a correr, ao ponto de pedir para lhe lavarmos o nariz com Rhinodouche, duas vezes por dia (quem já experimentou, sabe que apesar de milagroso, não é muito agradável), ressonava, já para não falar das infecções respiratórias que fazia. Agora, que passaram 3 meses de uma cirurgia, que aos olhos de alguns, talvez não fosse necessária, só posso afirmar que o Dinis melhorou em muito a sua qualidade de vida. Nunca mais voltou a ter ranho amarelado, dorme que nem um anjinho, sem qualquer ruído e para maior agrado, a educadora notou diferença no tempo de concentração/ atenção, que aumentou significativamente durante as actividades. Antes raramente conseguia terminar uma actividade a tempo e agora já consegue. Dos três, sempre foi o que dormiu melhor, isto é, o que acordava menos vezes durante a noite, mas de certeza, que tinha um sono com pouca qualidade e não descansava o suficiente. 
A decisão de operarmos um filho, nunca é fácil, principalmente, quando não é um caso de vida ou morte, no entanto, algumas vezes, nem sempre, pode fazer bastante diferença no seu desenvolvimento, principalmente se estiver com perda auditiva. Possivelmente, se não trabalhasse na área e não tivesse consciência das consequências da hipertrofia dos adenóides, não teria optado pela cirurgia, para evitar uma anestesia geral, mas não me arrependo em nada e estou agradavelmente satisfeita com os resultados. 



Adiámos este dia durante um ano, na esperança que com o crescimento passasse. A decisão não foi difícil. Estávamos conscientes que seria o melhor para ele, resulte ou não resulte a 100%. 
No entanto, o que eu sempre considerei e verbalizei  como fácil, hoje tornou-se interminável e doloroso. Quando alguém me falava em cirurgias, principalmente em adenoidectomia e amigdalectomias, que é o pão nosso de cada dia, a minha resposta além de que vai correr bem, era "isso é fácil, não se preocupem!". Até ao dia que me calhou a mim. Há já 3 dias que não deixava de pensar no assunto, na dificuldade que seria em separar-me do meu filho, na possível reacção dele e nos efeitos secundários que uma anestesia pode ter. Parvoíces de última hora, que desinquietam (ainda mais) o coração de mãe. 
Saímos cedo para o hospital. Ele tranquilo, mas com uma carga de mimo bem exacerbada. Já lhe tínhamos explicado que iria ser operado, para cortar umas bolinhas dentro do nariz e que iria para uma sala especial, mas nunca referimos que iria separa-se de nós. Vestiu a bata, mediu a tensão arterial, colocou o catéter, com a ajuda milagrosa do Livopan, sem nunca deitar uma lágrima, nem verbalizar um ai! A hora aproximava-se e eu estava a ver que quem iria precisar de uma dose de calmantes era eu. Chegámos à porta do bloco, as batas azuis aproximam-se e é hora da despedida. O Dinis continuou tranquilíssimo e eu uma pilha de nervos a enchê-lo de beijos, com medo do que poderia acontecer. Prometi-lhe estar ali, quando saísse. O anestesista aliviou um possível trauma (dele) na separação, com a medicação e anestesiou. Eu e o pai, permanecemos juntos, abraçados, sem conseguir conversar. Foram 30 minutos que pareceram uma eternidade, em que o cérebro paralisou para outro e qualquer assunto e apenas pensa no pior.  Controlei-me! 
Fui recebê-lo à porta e não chorava. Nunca chorou! 

Já estamos em casa e não poderíamos estar mais satisfeitos, com o hospital, com a equipa e principalmente com o nosso filho! E afinal, parece que não foi mesmo nada!









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