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Quando se navega pelos fóruns de mães, aparecem muitas questões pertinentes, dúvidas existenciais e às vezes nem tanto, mas neste caso, vou falar-vos de um exemplo que me toca directamente, porque é a minha profissão, Terapeuta da Fala e porque hoje se comemora o dia Europeu da Terapia da Fala. Numa dessas publicações, uma mãe ligeiramente indignada, (sem ser nem a primeira nem a última com esta dúvida), questionava o que uma criança com pouco mais de um ano fazia na terapia da fala, se com essa idade, maior parte das crianças não fala, e que de certeza que os problemas eram das pessoas, que são umas stressadas. Pois, de facto, a maior parte dos bebés com essa idade apenas produzem poucas palavras ou nenhumas. Mas antes de falar, será que não há competências que deveriam ser adquiridas?! Muitas mesmo....logo assim que nasce, o bebé apresenta um reflexo de procura da mama ou biberão, para que possa abocanhá-la e mamar, com os reflexos de sucção e deglutição. No entanto, estes reflexos podem estar alterados ao nascimento por causas diversas, nomeadamente a prematuridade ou alguma complicação do parto, o que justifica a intervenção de um terapeuta da fala numa neonatologia ou obstetrícia. Mais tarde, na introdução dos sólidos, o bebé também pode apresentar alterações da mastigação, movimentos esses muito importantes para a aquisição de alguns pontos de articulação. Já para não falar na audição, que estando alterada poderá afectar a compreensão do sons e da mensagem e originar um possível atraso no desenvolvimento da linguagem. Assim, de uma forma muito simples, a intervenção do terapeuta da fala pode fazer toda a diferença dos 0 aos 100 anos de idade, porque não intervém apenas nas alterações da fala, mas sim em todos as áreas relacionadas com a comunicação verbal e não verbal, linguagem oral e escrita, articulação, deglutição, sucção, fluência, motricidade oral e voz.  Não se esqueçam que a idade não é um factor determinante para procurar um terapeuta da fala e que uma intervenção precoce e atempada pode evitar maiores complicações no futuro. 




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Já não aguento tanta parvoíce!!

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Se me queixei dos 2 e dos 3, também não poderia deixar passar os 4 anos. As birras continuam, mas diferentes, com um poder cada vez maior de argumentação que muitas vezes até nos deixa sem resposta. Mas e a linguagem?! Falam imenso, sobre tudo, mas com temas muito pouco adequados aos interesses de um adulto. Nós perguntamos o que tem na mão e responde cocó ou xixi, os outros riem-se, respondem pior é já não param. E assim é impossível manter um diálogo. Zangar, castigar já percebi que não vale a pena. Ignorar e esperar que passe é mesmo o melhor. Mas isso para vos avisar que se nos encontrarem e perguntarem os seus nomes, a resposta pode ser pouco agradável. No entanto, se quiserem tornar-se os seus melhores amigos, basta falar em xixi, cocó e puns. 


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Conversas deles e entre eles!

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Hoje no carro, depois da natação, o Dinis ainda tinha um bocadinho de pão com queijo na mão.
 
Diego- Dinis, a mamã já não tem mais pão, dás-me um bocadinho?

Dinis- Não! Tu já comeste o teu!

Maria- Eu também quero Dinis!

Diego- Não Maria, aquilo só dá para 2!

Dinis - Não não Diego, só dá para 1! E sou eu!!!!

No fim, todos partilharam pão e queijo entre eles e o meu coração de mãe transbordou de orgulho pelos filhos que tenho!




Dos 3 aos 4 anos

Nesta altura a criança já apresenta um vocabulário muito diversificado e já articula correctamente as vogais e maior parte das consoantes. Desenvolve diálogos e conversas mais elaboradas em todos os contextos e começa a questionar e argumentar.

Como estimular:

Aproveitar o jogo simbólico ou imagens para que a criança invente histórias.

O que evitar:

Uso prolongado da televisão e tablets. Utilizar linguagem infantilidade. 

Dos 4 aos 6 anos

O discurso da criança está cada vez mais parecido com o do adulto, em termos gramaticais e de vocabulário. Consegue relatar acontecimentos passados e antecipa outros no futuro. Até aos 5 anos, deverá ser capaz de produzir todos os sons da língua portuguesa, de forma correcta. 

Como estimular:

Deixe a criança falar, relatar e inventar, incentivando a interacção e o diálogo com perguntas e respostas. Utilize conceitos abstractos, emoções e sentimentos nas conversas e brincadeiras. Comece a fazer jogos com palavras, utilizando rimas e lenga-lengas.

O que evitar:

Interromper a criança durante o seu discurso e o uso prolongado de televisão e tablets.

 

É impossível imaginar a vida humana sem linguagem. No entanto, a capacidade natural de adquiri-la não significa que o desenvolvimento da linguagem não seja influenciado pelas experiências e vivências a que uma criança é exposta. Por esta razão, e sendo este um blog de uma mãe que também e terapeuta da fala, deixo-vos algumas dicas para estimular a linguagem. 

No primeiro ano de vida

No início de vida do bebé, o choro é a principal meio de comunicação, no entanto aos poucos e poucos vão surgindo alguns sons guturais de forma involuntária. A partir dos 6 meses, altura em que o bebé já reconhece a maior parte das vozes mais familiares, começa a procurar alguma interação. Responde quando se chama pelo seu nome e inicia o palrar de sons como o /p/, /b/, /g/ e /k/. A presença do riso e gargalhada é cada vez mais frequente em momentos de brincadeiras e os gritos são utilizados para chamar a atenção e como forma de reacção ao que observa. Já próximo de um ano pode começar a produzir as primeiras palavras e compreende o "não".

Como estimular:

Muita conversa durante o banho, durante a alimentação e durante o vestir. Explicar o que se está a fazer com frases simples e curtas. Brincar de frente a frente com o bebé, sem distractores, produzindo sons, palavras com entoações diferentes ou utilizando o toque. Pode recorrer a brinquedos sonoros e luminosos com os sons de animais e objectos, mas tente sempre verbalizar o que está a ver. 

O que evitar:

Sons muito fortes e períodos prolongados de estímulo. Perto de um ano, quando o bebé já tem alguma intenção comunicativa, não seantecipe à vontade do seu filho, espere que ele se esforce a pedir.

Entre 1 e os 2 anos
 
Nesta fase, a criança já compreende ordens simples, principalmente se forem acompanhadas por gestos. Perto dos 18meses, já pode produzir cerca de 20 palavras e começa a formar frases de duas palavras "dá água". Identifica partes do corpo e a imitação de sons dos objectos é cada vez mais frequente. Aos 2 anos, já produz cerca de 50 palavras ou mais. Compreende ordens compostas e começa a usar frases de 3 palavras com verbos. A fala é muitas vezes ininteligível, ou seja, que não se percebe. Tenta cantarolar.

Como estimular:

Leia histórias ou descreva as imagens dos livros. Pergunte "Onde está o...?" Cante e ouçam músicas infantis com coreografias associadas. Pode começar a ver desenhos animados por períodos curtos de tempo e acompanhado. Diga o nome dos objectos e explique para que serve. Utilizar uma linguagem simples e correcta.

O que evitar:

Evitar antecipar-se ao desejo da criança e falar de forma abebezada, utilizando palavras infantis, como popó em vez de carro e papa em vez de comer. Se a criança usa chupeta, esta é a altura ideal para ser retirada, uma vez que pode influenciar na articulação dos sons.

2 a 3 anos

Produz pelo menos 250 palavras e começa a construir frases de três palavras com recurso a verbos, preposições e plurais. Conhece algumas cores e compreende as noções espaciais "em baixo" "em cima", "à frente", "atrás", mesmo que as confunda a expressá-las. Sabe o nome, o sexo e a idade. Nesta altura pode surgir uma ligeira disfluência (gaguez). 

Como estimular:

Converse muito com a criança perguntando o que fez durante o dia, o que comeu, com quem brincou... Repita o que o seu filho lhe disse, de forma correcta e simples. Durante a leitura de histórias, faça perguntas sobre o que já aconteceu e o que poderá acontecer. 

O que evitar:

Evite falar pela criança e em situações de gaguez, evite completar frases, interromper para pedir para respirar e mostrar impaciência ou frustração. 

 
(Dos 3 aos 6 anos irá ser publicado amanhã)

A propósito de um post anterior em relação ao uso de diminutivos por parte dos meus filhos, surgiram algumas questões/ comentários. Dessa forma, como terapeuta da fala quero alertar para alguns erros que os pais praticam habitualmente, muitas vezes de forma inconsciente, porque pensam que estão a facilitar a compreensão da linguagem, por parte dos filhos. Quem diz pais, diz avós, amas, educadores, todos os adultos que diariamente privam com os bebés e/ ou crianças numa fase tão importante como o desenvolvimento da linguagem.

1. Se a criança pronunciar mal uma palavra, não a repita. Diga a mesma palavra, mas de forma correcta, para que sirva de modelo.

2. Não usar diminutivos em excesso quando falam com as crianças. Ex: bananinha, o sapatinho, o gatinho...

3. Não utilizar palavras infantis que as crianças usam habitualmente (pó-pó, pé-pé para chupeta) ou não invente palavras infantis que substituam as reais.

4. Falar como se fala com os adultos, mas em frases mais curtas.

5. Não antecipar nem interromper a criança. É preciso dar-lhes o tempo necessário para explicar o que querem.

6. Não aceitar que a criança use os gestos para conseguir o que quer. Incentive a linguagem oral e se a criança ainda não fala deverá mostrar o nome real das coisas "queres a água?".

7. Falar ao nível da criança mantendo o contacto ocular, para que preste atenção nas expressões faciais e movimentos da boca.

8. Cada criança tem o seu ritmo, mas se notar que o seu filho está com dificuldades na aquisição da linguagem fale com o pediatra ou procure um Terapeuta da Fala.

 

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Os "inhos" e as "inhas"

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Há duas semanas para cá, tudo se tornou diminuído e fofinho cá em casa! Mamazinha para aqui, papazinho para ali, Mariazinha, gatinho, sopinha, bananinha,.... Nunca ninguém na família, infantilizou a linguagem quando falamos com o trio, mas de um momento para o outro, começaram os três a falar numa linguagem de "inhos" e "inhas". Tem a sua graça, principalmente quando falam entre eles ou tentam persuadir-nos com certas palavras. E, de facto, é muito mais charmoso, tornando todo o cenário muito mais carinhoso e inofensivo, como por exemplo - "Mamazinha, fiz só um xixizinho no tapete!"
Sendo Terapeuta da Fala, realizo de imediato uma interpretação deste comportamento. Neste contexto, não ocorre por imitação, porque nós não o fazemos, mas porque eles já começam a dominar a anatomia das palavras, isto é, a ter conhecimento das regras morfológicas. De acordo com o contexto (referindo-se a coisas pequenas, fofinhas...), e com o conhecimento que já têm, conseguem formar novas palavras a partir de outras. Claro que para eles, ao observarem que se tornam engraçados, o discurso com recurso a demasiados diminutivos, pode tornar-se automático. Para que não aconteça, não devemos incentivar e valorizar todas as situações e devemos falar com os bebés de forma correcta e sem abebezar. 

 

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