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Aprendi muito...

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Não sei o que é chegar às 30 semanas de gravidez (apenas chegámos às 27), não sei o que é sentir o cheiro de um recém-nascido ao meu colo, nem imagino a sensação do primeiro toque numa pele macia e imaculada como a de um bebé. Não sei o que é amamentar... apesar de ter passado horas ligada a uma máquina, a forçar pensamentos positivos para que o leite não secasse. Aprendi muito. Aprendi a valorizar a vida ao segundo, aprendi a agradecer e a celebrar todas as conquistas, a primeira vez que lhes mudei a fralda, a primeira vez que os peguei ao colo, o dia em que chegaram às 1500g, o cocó, o xixi,o dia em que tiram o oxigénio, o dia em que retiraram a sonda... São tantas vitórias para uns seres tão pequenos.... pela vida deste heróis, pelos pais que estão a passar e por aqueles que ainda poderão passar pela prematuridade, assinalarei sempre este dia, o dia Mundial da Prematuridade. 






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Hoje apetece-me contar a meio mundo...

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

É verdade! Hoje apetece-me gritar e contar a meio mundo o meu motivo de felicidade. Pode não ser nada de especial para muitos e também nenhuma novidade para nós, mas é mais uma conquista. Quem tem prematuros ou filhos com alguma dificuldade/ atraso no desenvolvimento percebe o quanto estas conquistas são importantes. Nascer 3 meses antes do tempo pode trazer muitas sequelas no desenvolvimento de uma criança e por essa mesma razão, os bebés prematuros costumam ter um acompanhamento mais constante e rigoroso até pelos menos aos 6 anos. As escalas de avaliação valem o que valem, nós sabemos, mas também sabemos que muitas vezes só podemos ter a confirmação de maior parte dos diagnósticos depois de as aplicar. Hoje recebemos os resultados da avaliação da psicologia e não poderíamos estar mais orgulhosos e agradecidos pelos resultados. Está tudo bem. Nós que lidamos diariamente com os nossos filhos, vemos muita coisa, mas às vezes também não queremos ou preferimos não ver, por isso que alguém de fora nos apresente resultados normais, é uma gratificação. Não significa com isto, que esteja à espera que no futuro, sejam os melhores alunos da sala ou que apareçam nos famosos quadros de honra. Não. Tem muito mais valor que isso. Significa que estamos a rumar no caminho certo, que estamos a criar crianças felizes, que brincam, que se interessam e que aprendem. Que apesar das suas 27 semanas de nascimento, conseguiram ultrapassar as dificuldades, até agora! 



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Três amores que chegaram mais cedo

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Tiraram-mos de dentro de mim, mas não os consegui ver, senão após 24horas através de uma caixa transparente, ligados e entubados. A primeira imagem que tive dos meus filhos foi aquela que eu mais tentei esquecer. Não sei o que é sentir o cheiro de um recém-nascido ao meu colo, nem imagino a sensação do primeiro toque numa pele macia e imaculada como a de um bebé. A minha imagem do que seria ser mãe ficou completamente deturpada no dia em que eles nasceram. Por isso, hoje e sempre, comemoraremos o dia da Prematuridade. Pelos meus heróis, pelos vossos que passaram pela mesma experiência, pelos que virão cheios de pressa para conhecer o mundo e essencialmente por todos aqueles que trabalham diariamente com estes bebés, que se esforçam e lutam minuto a minuto para transformar aquele ambiente artificial e inóspito, num ambiente natural, caloroso e cheio de amor. Obrigada.


 


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Chamar-lhes forte é pouco!

terça-feira, 18 de julho de 2017

Quem segue o blog há já algum tempo, já sabe que os meus filhos são uns heróis daqueles que não vestem capa. Lutaram pela vida desde o primeiro segundo e durante estes quase 4 anos, apesar de saudáveis, já tiveram algumas intercorrências. Fazer análises com alguma regularidade é uma delas. Nada de especial, se os miúdos colaborassem e conseguissem apanhar as veias à primeira, coisa difícil em crianças que foram prematuras e foram picadas diariamente durante o internamento. Pois, hoje foi dia de fazer análises ao Dinis e à Maria e só vos conto, que depois da última experiência com a Maria numa urgência hospitalar, eu estava com mais medo que ela, medo que não tivessem pessoal suficiente para a segurarem! Mas não! Desta vez, meia hora antes da recolha, colocaram uns pensinhos de EMLA para anestesiar a pele e depois no momento usaram Livopan, um gás anestésico que tira a dor, relaxa e acalma. Só vos digo, tiraram sangue sem um "ai", nem deitar uma lágrima! Fiquei fã, acho que até vou pedir para mim, na próxima vez que tiver que fazer análises. Claro que como tudo, tem inconvenientes. Se a criança não colaborar em manter a mascara na face, torna-se mais difícil ou impossível. 
Deve sempre perguntar ao médico se não existe nenhuma contra-indicação. 

 


 
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Fotografias que marcam #4

quarta-feira, 10 de maio de 2017

A Misha é uma gata persa, gentilmente oferecida por uma paciente, e faz parte da nossa família há 7 anos. Quando eu engravidei, foi a primeira a presentir; mesmo antes de eu saber que estava de esperanças, tomou posse da minha barriga e sempre que me sentava ou deitava, subia logo para cima. É evidente que quando o trio saiu do hospital, tivemos algum receio em relação a alguns comportamentos que a gata pudesse ter, ao sentir ciúmes e também pela quantidade de pêlo que costuma deixar. Não evitámos o contacto, nem tomámos precauções extras e ela adaptou-se num instante aos bebés. Nunca se aproximou demasiado deles, mas também não deixava de andar por perto, à excepção dos momentos em que choravam, principalmente se fosse a Maria. Sempre teve uma preferência notória pela princesa da casa, possivelmente por ter um choro muito, muito estridente (ainda tem), que se assemelha à frequência do miar do gato (quase que nos rebenta os tímpanos). Nesta foto capturei um momento desses, em que a Maria chorou, a Misha foi para cima, acalmando-a, e para a foto ficar mais uau, ainda abriu a boca, tipo leoa a proteger a sua cria. Os animais são realmente incríveis.
 
 
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Fotografias que marcam #3

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Quando se é mãe de trigémeos, das primeiras coisas que nos passa pela cabeça é a palavra praticidade, ter um espaço adaptado a três bebés, sem grandes complicações, com tudo à mão e principalmente escolher roupa prática. Na lista da maternidade não existe espaço para cueiros ou chambres, principalmente se nascem no Inverno, como foi o caso, mas sim, para um número interminável de  bodies e babygrows, de preferência com abertura à frente. Mas como sempre fui muito dada à moda e à roupa mais clássica, com bordados e golinhas, sempre que saíamos, ou seja, íamos ao médico, vestia-lhes uns conjuntos mais rococós. Na altura, não havia a variedade de lojas online, como há hoje, e a Chicco foi sempre a nossa preferência. Esta foto foi tirada na primeira saída de casa, após alta hospitalar, para irmos à pediatra. Só de pensar que os vesti em casa, para chegar à pediatra, despir, voltar a vestir e despir quando chegássemos a casa para não se sujarem (no início tinha esta mania), fiquei cansada. Não seria mais fácil tê-los levado de fato treino?!
 
 
 
 
 
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Podiam ser os meus filhos....

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Ainda sobre o tema da polémica, a vacinação, dei por mim a pensar, que poderia ser eu a estar na posição daquela mãe. Não vou discutir sobre a importância da vacinação, até porque há milhares de estudos que já o demonstraram, mas vou reflectir sobre as situações em que o risco de vacinar existe. Aconteceu igualmente connosco e com os nossos filhos. Perante a programação do plano de vacinação, foi-nos colocada a questão em dar a vacina Rotavírus, que de facto, não é obrigatória, mas é aconselhável. No entanto, de acordo com o historial da Maria, em que nasceu com uma suspeita de NEC (enterocolite necrosante neonatal), por prematuridade, não nos foi aconselhável vacinar. Perante esta situação, decidimos não vacinar nenhum e tratar todos por igual. Ambos os pais, somos profissionais de saúde, relativamente bem informados, a favor da vacinação mas no momento nós só queremos evitar o sofrimento dos nossos filhos e pensamos no aqui e agora e nunca que daqui a um ano ou dois possa existir um surto de diarreia e que aquela percentagem de 1 em milhares ou até milhões, poderá calhar-nos a nós. Acho que ninguém duvida que haja alguém no mundo que queira melhor aos filhos, que os próprios pais, e que todas as decisões que são ou foram tomadas, foi na altura o que achavamos ser o melhor para eles. Se agora tomaria a mesma atitude em relação à vacina do Rotavírus?! Talvez não, talvez decidisse vacinar o Diego e o Dinis. 
 
Apesar de hoje só se falar do 35 título do benfica, comemora-se também o dia Internacional da Família e o dia Internacional do Método Canguru, termo muito familiar  para os pais e familiares de bebés que nasceram prematuramente. Em Canguru, o bebé e a mãe voltam a sentir que pertencem um ao outro, como se continuassem juntos, através do contacto pele a pele. Desta forma, o bebé diminui os seus níveis de stress, acalma, o que promove o crescimento e desenvolvimento neurológico.  Para nós pais é um momento mágico, quando os sentimos juntos a nós, mesmo que rodeados de tubos e máquinas ruidosas. 
O meu primeiro Canguru foi com a Maria, porque era a que estava mais estável, 6 dias após o nascimento, no entanto há pais que apenas têm essa experiência passado semanas ou meses. Todos os dias, me dirigia para a unidade e passava no mínimo 2horas com cada um, no Canguru, pele com pele, sentindo a sua respiração e antecipando bradicardias e baixas de saturação. Recordo-me do Dinis, que em Canguru, relaxava tanto que deixava de respirar. Assim que sentia no meu peito essa paragem, estimulava-o nas costas e as máquinas já não apitavam. Foram momentos dolorosos no momento, mas que nos ajudaram a conhecer os nossos filhos e a estreitar laços que se separaram às 27 semanas de gestação. 
Um obrigado a todos os profissionais que incentivam o Canguru e um abraço forte a todos os pais que amanhã se dirigirão para as Ucin para sentir os seus filhos no seu peito, pele a pele. 

 

 

 
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Nascer prematuro

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Se têm seguido o blogue, já devem ter percebido que os trigémeos nasceram muito antes do que estava previsto, exactamente 3 meses antes, no dia em que faziam as 27 semanas. Para quem tem dificuldade em pensar em semanas, se consideramos que a gestação é de 9 meses, eles nasceram de 6 meses, o Dinis pesava 1130g, a Maria 1070g e o Diego 965g. 
Hoje comemora-se o dia Mundial da Prematuridade e de facto nascer prematuro não é apenas ficar a crescer dentro de uma incubadora. Nascer prematuro implica muito mais! Nascer prematuro significa criar pais prematuros, significa lutar para viver desde o momento do parto! É aprender a viver um minuto, uma hora e um dia de cada vez, a acreditar que a situação vai estabilizar-se.
No dia em que os meus filhos nasceram fiquei muito preocupada pela situação e pelo prognóstico reservado, mas no dia em que tive alta e fui para casa sem eles e sem barriga o mundo desabou! Eu não queria acreditar que os tinha colocado e deixado naquela situação, existia um enorme sentimento de culpa pela prematuridade e pelo que estavam a sofrer. Os dias foram passando, todos na Ucin de Faro, com medo do que poderia ocorrer e de facto, até ao dia de saída, não podemos respirar de alívio. Nós pais nunca deixámos de acreditar, inclusivé quando me ligaram às 7 da manhã a pedir sangue porque um deles tinha piorado. Diariamente lhes transmitíamos amor, carinho e fé, através do contacto pele a pele, da voz, do banho...
É uma experiência que deixa marcas para a vida e que nos acompanha no crescimento dos nossos filhos. Nunca esquecerei todas as tias e tios (enfermeiros, médicos e auxiliares) que estiveram sempre presentes nos 72 dias de internamento e que graças a eles tenho três filhos saudáveis (até agora) e maravilhosos. 

Mães de prematuros, nunca deixem de acreditar... eles conseguem! 

Dinis, Maria e Diego, tão frágeis e tão fortes, vocês são os nossos heróis, vocês são o nosso orgulho!




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